Carvalhaes, 1886.

X

AOS CATHOLICOS

Todos vós que sois sinceros crentes, Que oraes a Deus no intimo do peito, Oh mysticos christãos; Embora tenha crenças differentes D'aquellas que seguis, eu vos respeito, E julgo como irmãos!

Eu amo a Deus; depois a Humanidade; Depois os bons, e d'estes o primeiro, É Christo, o Redemptor! Não sendo egual em tudo á Divindade, É, como justo e homem verdadeiro, Meu mestre e meu mentor!

Embora por fanatico me tomem Impios e atheus, se os ha, eu lhes confesso, Que o Martyr da Paixão Parece-me tão grande como homem, Que até sinto vertigens quando messo Seu terno coração!...

Oh meu Jesus! nas luctas pela vida, Por onde tanto naufrago fallece No meio da viagem: Minha alma soffredora e dolorida, Cahiria tambem se não tivesse A tua doce imagem!...

Eu que creio que o facho da sciencia Nos ha de revellar, ao fim de tudo, Que em nós se concilia Rasão e Fé, Justiça e Consciencia: Ah quero-te Jesus! por meu escudo, Por meu amparo e guia!

Na Sé de Lisboa
na quarta feira de trevas
1888.

XI