FÉ E RASÃO

A CRUZ E O PÁRA RAIOS

Da velha cathedral, esbella e rendilhada, Votada a ser mansão do Deus, author do mundo, Na flecha a mais gentil, campeia abençoada A cruz do Redemptor, da Gallilêa o oriundo!

Nos impetos da fé, cortantes como a espada, O ungido do Senhor, d'olhar cavo e iracundo, Aponta á multidão, humilde e ajoelhada, Por seu supremo amparo a cruz, no azul profundo!

Em nome d'ella exalça a fé porque a aviventa, E diz mal da rasão que tenta, em vãos ensaios, Dos ceus arrebatar a luz, de que é sedenta!

Mas do alto onde ella está, que causa até desmaios, Temendo que a derrube o fogo da tormenta: Em nome da Rasão lhe pôe um pára raios!...

Outubro de 1888.

XII

AMOR E PROVIDENCIA

Em quanto eu, alta noite, velo e lido, Por vós mantendo innumeros cuidados, Dormis, caros filhinhos, socegados Em torno a mim o sonho appetecido!