Assim foi para mim o florir dos amores, N'essa quadra febril em que o sangue é fecundo, Quando rompe a manhã, quando abrem as flôres, Quando o Sol brilhante e o azul é profundo!...
Nem ha rocha no mar, pelas ondas batida; Nem ha nuvem no ceu, pelo vento açoutada; Nem ha rosa n'um val' pelo sol esquecida, Que se possa dizer mais do que eu desgraçada!...
Mas se o mal nos incita, e Deus quer nos transporte D'um estadio a outro estadio atravez muito custo, Em demanda do Bem, que triumpha da morte: Deves crêr do Porvir no Ideal santo e augusto!
E se foste, minha alma, a illudida afinal, Quando crêste emplumar nesta quadra o teu ninho,... Pede a Deus que te envie aquella hora fatal Que abre a porta á Verdade e vae tu teu caminho!...
Oh Justiça increada! oh meu Deus! oh meu Pae! Tu que a mim me mostras-te o teu seio, esse abrigo Da Bellesa e do Amor, que me envolve e me attrae: Dá-me as azas Senhor, com que vá ter comtigo!...
Lisboa, 1869.
XXII
REFUGIO ULTIMO!
Deixa, Senhor, do mundo em que eu habito A ti meu ser se evol'!... Tem jus aos ceus quem mede esse infinito Que vae de sol a sol!...
Sonhei na terra, amando-a muito e muito, Novo Deus, nova lei; Mas foi, pura illusão, baldado intuito, Comtigo só me achei!...