A terra tem o mesmo encanto e a mesma alegria o céu! É o mesmo scenario de magia. E o povo chora... e o povo reza...
Parece não vêr o que o cerca; fica como cego a ouvir o agoureiro. Chamam-lhe a Ave-agoirenta; receiam-no, temem-no, acreditam n'elle!
Mas que verdade, teem, acaso, as suas fallas?! A sua voz, fria e distante, lembra morte, é certo. É uma voz d'alem tumulo, d'alem vida—prophetica! Ainda a julgo estar ouvindo!...
UMA AIA
Desviai de vós, Senhora, tão negro imaginar. Para que recordar palavras doidas? Para que estar, Senhora, a dar-lhe ouvidos?!
INFANTA—impressionada
Palavras doidas sim, palavras doidas!... Se não fôra o tom da sua voz! Como ella é fria, fria, e lembra a Morte!
UM VELHO PHYSICO—rudemente
A Morte não vê, não falla, não ouve. É cega, é surda, é muda a Morte! Para que estar, Senhora, imaginando que ella pode fallar na voz de um doido?
Eu, que sou physico d'El-Rei, e já um velho, a quem a morte de manso vem tomando, por vezes, estudando as caveiras interrogo-me!