Olho-as bem... Vejo n'ellas o meu dia de amanhã, e não as olho com horror; pelo contrario, vejo-as com amor, com simpathia... e até, recordando as minhas dôres, acaricio-as!

As orbitas não teem olhos; as boccas não teem lingua; os ouvidos são buracos apenas. Não podem ouvir, nem ver, nem fallar!

Porque, Senhora!? Porque a Morte é paz, socego, anulamento; é nada... Os mortos dormem e não querem que os acordem. Que se importam elles dos vivos, se repousam!?... Deixai a voz do doido...

INFANTA—serenamente

Porque só olhaes e interrogaes caveiras não podeis comprehender os mysterios que nos cercam. Só mestre Lopo, que lê nos astros, poderá dizer toda a verdade.

Docemente, na distancia, os sinos tocam as Trindades.

Ave-Marias! Rezemos...

pondo as mãos, em prece, mysticamente

E um anjo do Senhor, cheio de luz, desceu dos Céus á Terra e disse: «Ave-Maria cheia de graça, o Senhor é comtigo...»

Silencio. A corte ajoelha e reza por momentos; os pagens, acendem luzes.