Approxima-se de novo da arcaria. O povo está silencioso. A côrte segue-a. Hierática e serena, fita longamente as naus, negras e vagas, levemente tocadas pela luz quási extinta do crepusculo.
INFANTA—violentamente
Dominar! vencer!—razão suprema, humana, do destino dos homens sobre a terra. Transfiguração do triumpho em soffrimento, exaltação da morte pela morte, da alma pela vida!
Vencer o mar, desvendar os mysterios, por ancia de luctar e renuncia de viver a vida passageira, vencendo da morte o esquecimento! Ha uma Via-Lactea de guerreiros mortos a envolver o mundo, um enterro de naufragos a povoar o mar!
Por nós o mar tornou-se Humano!
Por nós o mundo é já Divino!?...
Silencio profundo de assombro e de terror, como se mãos mysteriosas, invisiveis, a todos prendessem. Immobilidade completa: nem um gesto; olhares que a medo se interrogam.
A vida arrasta-se sem fim; momentos são horas.
Sem ruído, entra um pagem; queda-se surpreso por instantes, olha em roda, e, lentamente, de manso, acerca-se da aia; fallam baixo, muito baixo.
A AIA—hesitante, approximando-se da Infanta, a custo, como receando