n'um recordar enternecido, saudosissimo
Deitam sobre o rio as janellas d'este paço... E foi d'ellas, de junto d'esses vitrais, que eu ainda tamanina, de olhos muito abertos, deslumbrados, vi chegar as naus e caravellas que foram um dia em busca do imperio, por mares distantes... ignorados... mysteriosos...
em recolhimento de intimos pensamentos, passando pelos dedos as perolas do collar
É um rosario de saudades o meu collar... São contas de saudade as minhas perolas...
Os olhos da princeza, fixos, pasmados, revêem o passado. As aias trocam olhares, fallam a medo... Um silencio de vida adormecida.
De repente, distinctamente, gritos da multidão, ululante, desvairada, fanatica, sanguinaria.
A MULTIDÃO
Á morte!—Á morte!...—Herejes malditos!—Filhos de Satanaz!...—Perros tinhosos!—Bruxos de perdição!—Malditos!—Malditos!—Por Jesus Christo!—Pelos nossos filhos!—Á morte!—Á morte!...
UMA AIA—abrindo uma das janellas, espreitando receosa, e fechando-a em seguida