POETA—sereno, quasi indifferente

Adormecendo, dizei antes, que morrer é apenas um gesto; o vôo necessário para uma vida maior.

Morre-se na vida infinitamente. Morre-se sempre para viver... até ser attingida a luz final, suprema, em que vida e sonho se confundem...

Na imagem, na sua imagem mystica, dulcissima, o meu amor é sempre o mesmo; na alma, maior, sempre maior...

PINTOR

Mas para que soffrer, agora que vai partir, tão doidamente?

POETA—muito calmo

Para a remir em minha dôr! Exalta-la no meu coração—altar do seu sacrificio!

Para a santificar na minha alma!

n'uma mudança brusca