Conheces bem as terras para onde vai. Por lá andaste, peregrino annos e annos e d'ellas tens dito maravilhas...
PINTOR
Minhas palavras, de tão pouco que dizem, são quási mentirosas...
POETA
Eu nunca sahí d'esta cidade de maravilha e de encanto, mas n'ella tenho sentido, vivido, o mundo inteiro!
em exaltação
Que importa o mundo?! As maravilhas estranhas de que fallais que importam?
A vida estonteante, allucinada, que me cerca, tem para mim, agora, a indifferença da morte e é de agonia a alegria em que vivo! Ando a enterrar a toda a hora as minhas dôres. Sou um eterno coveiro, e cavo fundo, fundo, mas os sonhos—ai de mim!—tambem teem alma!
Como hei-de enterrar minhas saudades!?
com dolorosa serenidade