após curto silencio
Agora o milagre não foi só para o Guerreiro; nós vimos tambem, eu vi tambem. No céu, para o horizonte, para os lados onde fica a Terra Santa, uma cruz immensa de sangue gottejante, abriu os braços... Enchia o céu... como se o céu fosse a vella maior de uma nau! Tangeu o côro das trombetas, ressoou pelo ar o estrondo das bombardas... E nós vimos, e eu vi, até ser sol-poente, a Cruz a gotejar no ceu azul e immenso a marcar-nos o caminho que o Guerreiro horas antes traçara. Foi então, Senhora, que eu, nós todos que o cercavamos, nos sentimos como elle, eleitos cavalleiros, mysticos cruzados, ungidos pelo Destino!...
á côrte
É esta a nossa fé:—se ousais nega-la, mentis aos homens e mentis a Deus!
Silencio profundo e longo. A Infanta tem o olhar distante e vago preso ao céu. As aias, baixo, murmuram orações. O nauta, olhar de illuminado, é como cego... O silencio parece não ter fim. O luar, é branco, muito branco.
POETA—baixo, acercando-se do astrologo
A cruz a gottejar!... Repara na noite: o luar cahe como agua das fontes e é mais branco e mais frio do que um marmore...
ASTROLOGO
Cadaveres rosados e quentes onde os vistes, amigo?
INFANTA—como despertando, n'uma exaltação