Entre as flores, que as Graças bafejárão,
Curvas d'Elmano á prepotente Lyra,
Venus brincando com Adonis gyra,
Dando-se beijos, que em rosaes cevárão.
Assim contentes horas deslizárão,
Ao som canoro, que o prazer inspira:
O Ceo pendente extasiado admira!..
Té que os Numes d'inveja ao som raivárão.
Dedos torpecem!.. arrebentão cordas!..
Cumprio-se a voz de hum Deos, cumprio-se a Sorte,
Em quanto, Eco chorosa, os tons recordas.
C'roai-o, ó Ninfas, pranteai-lhe a morte:
E ao menos, Jove, que em prazer transbordas,
Deixa vêllo de cá na etherea Corte.
Do mesmo.
* * * * *
*SONETO.*
Pungido pela dor, banhado em pranto,
Desato, Elmano, minha voz truncada,
Que de gemer, de suspirar cançada,
Acha o rouquejo no lugar do canto.
Debalde em pragas mil a voz levanto
Contra o Cypreste, lúgubre morada,
Que de funereas Aves carregada,
Te condensa o pavor, o susto, o espanto.
Para baldar o agoiro, em vão tentára
Loiros dispôs em mimo esperançoso,
Que na aridez não vinga a ténue vara.