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*ELOGIO AO PUBLICO*
Em nome de huma Actriz da Rua dos Condes.
A Musa, que nas Scenas de Ulysséa,
Não sem gloria, ajustava o métro á Lyra,
De Elmano o só thesoiro (a Sócia mésta
Da quasi muda cinza, aérea sombra)
Inda hum salvé tremente á luz envia,
E dá versos á Patria, ou dá suspiros,
Da nobre Gratidão pelo orgão puro.
Oh Lysia! Escuta os sons, talvez extremos;
Que do seio affanoso, a custo, exhála:
(O Cysne diviniza os sons da Morte)
Ouve, em métro não baixo, ouve alto affecto,
Que me honra o coração, na voz me ferve,
E no Patrio favor a ardencia nutre.
Recente Arvoresinha em chão bravio,
De humor celeste definhando á mingoa,
(E mimosa jámais de hum Sol fágueiro)
Eu para a Terra, para a Mãi pendia,
Que os succos mesquinhava ao tenro Arbusto,
Talvez de produzillo arrependida.
Eis braço, a que apiedou meu ser já murcho,
Me extráhe, propicio, do Terreno avaro,
E em liberal torrão me põe, me arreiga.
Súbito espérta, súbito enverdece
A Planta moribunda, e qual sé, ó Lethes,
Afferrasse a raiz nas margens tuas,
Que das Furias o bafo esteriliza.
Influxo animador me altêa, e fólha;
Hálito ameno de vivaz Favónio
Com macios vaivens me embala os ramos,
Flores me adornão, fructos me atavião:
Os sorrisos da Patria, os mimos della
Estas boninas são, são estes fructos.
Das trévas, e da Morte as Aves feias,
(De atra voz, em que o Fado ás vezes sôa)
Fogem d'entorno a mim, carpindo agouros,
Nas agras, negras furnas vão summir-se;
E na coma louçã gorgêa encantos
Teu Cantor, Primavéra, o vosso, Amores.
Quanto sou, quanto valho, á Lysia devo,
E á Lysia o coração na voz consagro.
Acólhe com ternura, acólhe, ó Patria,
As Offrendas por mim do triste Vate,
Que para te cantar surgio da Morte,
E em ancias balbucía o tom dos Numes:
Honra déste ao Cantor, dá honra ao canto.
Bocage
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*ODE*
Ao Senhor Manoel Maria Barbosa du Bocage.
Do boto engenho a sequidão, e a mingoa
Suppri, vós Amizade, e sentimento,
E a frase ingenua, a Candidez saudosa,
Tebêos thesouros valhão.
Tinta sempre de negro a Fantasia,
Em vão tactêa o viço dos Prazeres;
As sombras medrão, desaparece o esmalte
Dos Parnásidos sonhos.