Anciado o coração, palpita, e pede
Amenos quadros, que o vigor lhe abonem;
Mas, o seu oppressor, o Pensamento,
Se produz, produz lucto,

E como affugentar, banir-lhe as trévas
Se de hum, se de outro lado eu sinto, eu vejo
Duros arremessões, pendentes golpes
Do meu verdugo, o Fado.

Daqui me aponta a pálida Amizade,
O Amigo, o Vate, o Pensador, o Tudo
(Socio nas ditas, e nas mágoas socio)
Desviado, e penando.

Dalli me punge o indomito Destino:
Novo Tantalo eu sou! Vejo a Ventura,
Cresce o desejo, esfórços se redobrão,
Mas não posso abrangella.

Impertinentes, faceis Conselheiros,
Sizudo Aristocrata me pertendem
Systema, e Genio me prohidem; soffro
Affanoso contraste.

Nos grilhões de hum dever, que me flagélla,
Nem do meu coração disponho livre!
Quantas vezes me vês, Amor, oh quantas!
Cobiçar-te, e fugir-te

Na varia compressão, no cerco infando
De Pezar, e Pezar conheço o pouco,
Que resiste a Razão, e quanto, e quanto
Filosofia he futil!

A Sensassão dispotica ensurdece
Da sã Prudencia ao madurado Aviso,
E contra a innata propensão dos Entes
Politica o que avulta?

Mente quem me disser, que em homens cabe
Não gemer, se Afflicção irrita, e lacera:
Não mais póde o Atilado, o Sapiente,
Que evitar-se ao naufragio.

Eu, que desde a bemvinda Primavera,
Em que a Luz da Razão dourou meu clima,
Tive sempre comigo, e meus Destinos
Atinada pelêja.