Votado desde então a Amor, e ás Musas,
Filosofo, os espinhos acamando,
Horas tenho, assim mesmo, em que a meus olhos
A existencia negreja.
Ditoso tempo aquelle, Elmano, o caro,
Que em amiga união (volvendo a teia
Do Porvir, do passado, e do presente,)
Nos davamos constancia!
Então (oh! tempos, que valeis saudades)
Amizade interesses enlaçando,
Delicias extrahia ás mãos da sorte,
Que trovejava inutil.
Então as Nynfas do Pierio esquivo,
Com teus Olympios sons extasiadas,
Folgavão de me ver medrado Alumno,
Rastear-te, e com gloria.
Ah! bem que nos separa occulta força,
Inda te segue o socio Pensamento:[1]
Se Poder, e Vontade condissessem,
Moniz fôra comtigo.
Menos agros talvez teus dias forão,
E os turvos dias meus, que enlutão mágoas,
Com doce languidez amenizára
O Prazer fugidio.
Matiz equivalente a Paraisos,
Variado entre Amor, entre Amizade,
Me enchera o vácuo da existencia ensôssa,
Que se definha inerte.
Eu amo, eu sou amado, eu lucro, eu gózo;
Mas, aí! que a hum dia de prazer succedem
Dias, e dias de Afflicção teimosa,
Que o coração me azédão.
Amas, como eu tambem, tambem amado,
Mas avesso Poder te engelha os fructos,
Que já colheste em tempos fortunosos
De perpétua lembrança!
Cumpria, que a Amizade suppridora
Instantes affagasse amargurados,
Mesmo d'entre os negrumes do Destino
Tirasse hum riso a furto.