Nos quatro cantos de horrorosa estancia
Quatro cyprestes lúgubres se elevão;
Aves sinistras, rouquejando agouros,
Entre os ramos se aninhão.
Para aqui se encaminha a Invéja tôrpe:
Tremendo, aos pés do throno se apresenta;
Frio terror os membros lhe entorpece
Ao encarar o Nume:
Mas, assanhando a roedora serpe,
Que no peito lhe pásce, a dor vehemente
Lhe esperta o coração, lhe volve o acôrdo;
E assim troveja a Furia:
"Deosa, dominadora do Universo,
Cujo imperio vastissimo confina
Co'a muralha da immensa Eternidade:
Branda meu rogo affaga.
Já vezes mil o tétrico veneno
Das serpes, que me toucão, que alimento,
Fêz em teus lares borbulhar o sangue
De victimas sem conto,
Serviço não vulgar, que te hei prestado,
Jús me confere a não vulgar indulto:
Vinga-me, ó Deosa, de hum Mortal soberbo,
Que ousa affrontar-me impune.
Elmano, o caro a Febo, e caro a Lysia,
C'roado ha muito de immurchavel louro,
Sobre o ludibrio meus alçou ufano
Troféo de eterna dura.
Com pé robusto esmigalhou valente
(Da peçonha mortal nem foi tocado)
Viboras, que arranquei da trança horrenda,
Para arrojar-lhe ao seio.
Tentei vãmente ennegrecer-lhe a Fama,
Que nivea, e pura os Orbes divagava!
Meus baldados projectos só servirão
De aviventar-lhe o lustre.
Chusmas de Zoilos, meus fieis Ministros,
Em vão em meu favor as armas tomão:
Relampaguêa o Vate, e nos abysmos
Baqueão, aterrados.