Myrrhada de pezar, baixei ao Orco,
E alli fui prantear a injúria minha:
Gritos, que então soltei de dor, de raiva,
Inda nelle retumbão.

Foi-me comtudo balsamo suave
Á dor cruel, que me ralava o peito,
O grato annúncio, de que o Vate odioso
Roçava o ponto extremo.

Mortifero aneurisma promettia
Romper-lhe antes de muito os nós da vida!
Meu coração folgou, desaffrontado,
Co'a proxima ventura.

Já com soffregas mãos, tintas em sangue,
No Báratro compunha atróz peçonha,
Para ensopar-lhe as socegadas cinzas
No tácito jazigo.

Porém, ó Deosa, se, exercendo a Fouce,
O demorado golpe não desfechas,
As, que alimento, gratas esperanças,
Qual fumo, se esvaecem.

Sim, ás contínuas súpplicas de Lysia,
Como que o Fado a fronte desenruga;
Brado, macio já, como que intenta
Deferir-lhe propicio.

Ah! e quanto, inda assim oppresso, enfermo,
Quando me affronta, me assoberba Elmano!
Seu Estro sempre o mesmo, sempre em chammas,
Raios me vibra intensos.

Todos de Lysia abalizados Cisnes
Melifluo canto em seu louvor modúlão;
Rôto ao porvir (mercê de Apollo) o seio,
Vida fádão-lhe eterna.

E serei, ai de mim! assim calcada,
Sem que possa vingar-me!.." Aqui lhe brótão
As lágrimas em fio, entre soluços
Suffocada, emmudece.

Depois de curto espaço, a Morte horrenda,
A fronte definada meneando,
Alça a medonha voz, e assim responde
Á consternada Furia: