Oh que horrendo espectaculo não era
A Invéja furiosa, ardendo em raiva!
Da dextra, da sinistra a serpe, o facho
Arreméça convulsa.
As melenas, frenéticas, arrepéla,
E de áspides alastra o pavimento;
Na boca, onde as espumas são veneno,
As maldições lhe fervem.
Torcendo, e retorcendo os vesgos olhos,
Vaguêa delirante a vasta furna:
A Morte, a propria Morte, ao ver-lhe as furias,
Treme no throno horrendo.
O Fado, contra quem vomita o Monstro
Negra turma de pragas, indignado
Manda ronque o trovão, fuzile o raio,
E sobre ella desabe.
A Furia, remordendo-se, baquêa,
E no bojo inflammado o Inferno a sorve.
Em tanto a grande Lysia, exultadora
Vôa a abraçar seu Filho.
* * * * *
*EPISTOLA*
Feita no julgado ultimo periodo de vida do Senhor Manoel Maria de Barbosa du Bocage.
EPIGRAFE.
Rebus angustis animosus as que
Fortis appare.
Horat. Od. 7. liv. 2.