Com licença da Real Meza da Commissão Geral sobre o Exame, e Censura dos livros.

+ELEGIA.+

Horridas sombras, horridos vapores,
Que enlutais estes ares carregados
Por onde vão fogindo os meus clamores;

Sinistras Aves, que funestos brados
Espalhais de Cyprestes luctuosos,
Pela negra Tristeza bafejados;

A vós consagro os prantos dolorosos,
Que meus olhos derramão contra a dura,
Antiga ley dos Fados poderosos;

Antiga ley, que á feia sepultura
Arroja sem respeito, e sem piedade
A Virtude, a Grandeza, a Formosura!

Aspera ley, que a pobre Humanidade
N'um momento, n'um átomo arremessa
Ao centro da medonha Eternidade!

Tremendissima ley, que tão depressa
Troca em ais, e desgostos a alegria;
Troca a Purpura em luto, o solio em Eça.

Ah! Nunca amanhecera o cruel dia,
Esse dia fatal, que tu seguiste,
Noite de espanto, noite de agonia.

Téjo, que foste da Tragédia triste
O Theatro infeliz, que he do Thesoiro,
Que a meus olhos saudosos encobriste?