Ah! Não blazones das arêas de oiro,
Se em ti contens o Heróe, que ao proprio Marte
Esperava ganhar a palma, o loiro.
Jozé, que, reunindo a força, e a Arte,
Feros Brutos indómitos domava,
Sendo assombro de tudo em toda a parte;
Jozé, que os luzos Póvos alegrava,
E que, sem recordar-se da grandeza,
A todos brandamente agazalhava;
Jozé, com quem a sorte, e a natureza
Forão tão liberaes, e em quem luzia
Resto feliz da gloria Portugueza.
Oh lugubre Destino! Oh Morte impia!
Illustre, e velho Pai! Tua amargura
Quão rigorosa, quão cruel seria!
A macilenta clotho, a Parca dura
Te roubou para sempre o Filho amado,
O doce objecto da maior ternura.
Queixa-te, he justo, queixa-te do Fado,
O negro caso deploravel chora,
Em nossas faces pela Dor gravado;
Pragueja aquelle Monstro, que devora
Os miseros mortaes, dize-lhe… ah! antes
Antes a summa Providencia adora.
Adora a quem nos Astros scintilantes
Erigio, colocou seu Throno eterno,
O supremo Senhor dos Ceos brilhantes,
O Justo Deos, que com poder superno
Escondeo, ferrolhou perpetuamente
Os rebeldes espiritos no Inferno.