Elle, movendo o braço Omnipotente,
O filho te chamou, que merecia
Gloria immortal no Empireo reluzente.
Basta, excelso Marquez. Tua agonia
Pela Fé seja em fim modificada,
E por huma Christãa Filosofia.
Que tambem na minha alma atribulada
Oiço o rizo da candida Esperança,
Sinto a terrivel Dor mais aplacada.
E tu, Alma gentil, que na lembrança
Tão presente me estás, Alma ditosa,
Entre os Córos Angelicos descança.
Não precisa de lagrimas quem goza
De eterna, de immortal Felicidade,
Por isso he nossa dor infrutuosa;
Porém, com tudo, lá da Eternidade,
Do centro da Ventura mais perfeita,
Se te he possivel, feliz Alma, aceita
Próvas de Amor, effeitos da saudade.
+SONETO.+
Tudo acaba. Esse Monstro carrancudo,
Próle do Avérno, effeito do Peccado,
Tudo a cinza reduz, brandindo, irado,
Com sanguinosas mãos o ferro agudo.
Oh fatal Desengano, horrendo, e mudo,
Em pavorosos marmores gravado!
Oh letreiros da Morte! Oh ley do Fado!
He verdade, he verdade: acaba tudo.
Eis o nosso miserrimo Destino:
Assim o ordena quem nos Ceos impéra;
Basta, adoremos o Poder Divino.