—Foram os inglezes, repito. Em Napoles era desconhecida a chuva, antes de lord Nelson entrar n’aquella maravilhosa bahia. A chuva portugueza devemol-a ao Beresford...
N’este momento entrou um criado com luz.
Alberto interrompeu-se ao divisar-nos a mim e a D. Antonia.
—Oh!... senhoras... e tu não me dizias coisa alguma, e deixavas-me palrar como um idiota que sou...
—Mas, meu amigo, tornou Claudio rindo, desde que entraste ainda não fiz senão querer-te apresentar minha mulher, e tu a fallares em Nelson e no marquez de Pombal... Margarida, continuou elle, dirigindo-se a mim, tenho a honra de te apresentar o meu bom amigo Alberto Mascarenhas Corte-Real, que chega, como acabas de ouvir, de uma viagem da Italia.
—É uma dupla recommendação valiosa, disse eu sorrindo e comprimentando-o amavelmente; amigo de meu marido e viajante recemchegado da terra dos prodigios, como não ha de ser recebido cordial e curiosamente?
Alberto balbuciou algumas palavras, que eu não percebi, mostrando-se visivelmente enleiado, talvez por causa da sua palradora entrada, e voltando-se logo para D. Antonia, apertou-lhe a mão, dizendo-lhe:
—Ah! é, v. ex.ª! Desculpe, minha senhora, o não a ter reconhecido. Mas ha de confessar que na escuridão era difficil...
—Ora, das velhas nunca os senhores fazem caso.
—Ah! tornou Alberto rindo, já pediu a sua reforma? Pois olhe, parece-me que a neve, que lhe vejo alvejar nos cabellos, é a neve perfumada da laranjeira. Vamos, seja sincera. Quando é o casamento?