—Qual é? perguntou Claudio.

—O de dizer mal das viagens! Fallar a gente a um amigo sedentario, que nos tem inveja, e exclamar: «Oh! tu não comprehendes o quanto és feliz! Não ha tortura maior do que a do Ashaverus da lenda! Percorrer o mundo, só, vendo-se isolado no meio de uma sociedade differente da nossa, passando por terras, onde ninguem nos espera, onde não deixamos nem sequer uma saudade; e a mão da fatalidade a impellir-nos sempre, e a voz do destino a dizer-nos: «Caminha». E assim atravessamos o mundo, andorinhas sem ninho, poisando ora no cume inflammado do Vesuvio, ora na austera cupula de S. Pedro, ora na torre pendida de Pisa, ora na bronzea juba dos leões de Veneza! Ah! bem louco é quem deixa os lares para procurar estas commoções de um instante, pagas por amarguras infinitas.» E o amigo comtempla com certo respeito o homem que falla com tanto despreso n’essas maravilhas, cujo magico panorama lhe povôa os sonhos, lhe perturba a existencia. Oh! dizer mal das viagens, depois de ter viajado muito, não ha prazer que se lhe compare, não acha, sr.ª D. Antonia?

—O que?

—Dizer mal... que é um grande prazer.

—Não se diz mal senão d’aquillo que merece as nossas censuras, por exemplo...

—Immensas coisas... Não me falle n’isso! O mundo vae cada vez peior. O Anti-Christo não tarda. É pelo menos esse o parecer da sua caridosa amiga, D. Simôa dos Anjos. É verdade, como está ella?

—Olhe! essa é que se póde dizer uma santa.

—Pois não! Santa Bazilia! é uma das santas mais veneradas pela igreja contemporanea.

—Bazilia!...

—Sim, mulher de D. Bazilio.