Eu sentia o passear agitado de Alberto na sala. A nossa posição era tão embaraçosa, que nenhum de nós se atrevia a romper o silencio.

Emfim Alberto parou, e disse-me, tocando-me no hombro, e fazendo assim com que eu me voltasse para elle:

—O que se passa aqui?

—Nada, meu bom amigo, respondi sorrindo-me; ou antes, passa-se uma lucta mesquinha, cujas peripecias lhe causariam tedio.

—Em que o meu nome entra d’algum modo?

—Não, respondi hesitando.

Pois que lhe havia de dizer? Havia de lhe narrar as absurdas insinuações de D. Antonia?

Alberto fitou os seus olhos nos meus, depois abanou a cabeça com ar de duvida.

Eu larguei a janella, e fui-me sentar ao meu piano, que me chegara de Lisboa n’esse mesmo dia.

Abri-o, e deixei correr vagamente os dedos pelo teclado. Alberto foi-se encostar ao peitoril da janella. O seu nobre e pallido perfil, banhado pelos raios da lua, tomava não sei que vaga expressão austera e melancholica.