—Oh! mas diga-me, diga-me que a não ama, tornava eu chorosa e supplicante, diga-me que não ama Carolina.

—Oh! respondeu elle n’um impeto, e fazendo um gesto de energica repugnancia, oh! juro-lh’o.

—Obrigada! obrigada! murmurei eu; bem sei que sou uma doida, que me estou perdendo, que sou uma mulher vil, indigna da sua estima; porém não pude, soffri muito, quando ella me disse que se amavam:—a dôr foi... incomportavel.

—Soffreu! respondia Alberto com voz tremula, e apertando-me as mãos com impeto febril, soffreu, mas então... mas n’esse caso...

—Amo-o; não é isso que quer dizer? tornava eu como louca; sim, é a verdade, a verdade terrivel, fatal, ignominiosa.

—Ama-me! exclamou Alberto.

E, soltando as mãos, levou-as á fronte, como se temesse que lhe rebentasse ao impulso da lava, que lhe refervia lá dentro. E, voltando a travar-me das mãos, com os olhos incendidos n’um fulgor estranho, como se os houvesse abrazado a chamma de loucura que ardia nos meus:

—Ama-me! Oh! não me falle! não me falle! deixe-me ouvir os eccos innumeraveis que essa palavra magica me desperta no coração! Oh! não me acorde d’este sonho! peço-lh’o, deixe-me aqui morrer com os olhos enlevados n’esta visão beatifica...

—Sonhemos, dizia-lhe eu debulhada em lagrimas, oh! sonhemos depressa, porque o despertar vem cedo, e o despertar é o opprobrio.

E caí prostrada n’uma cadeira; elle ajoelhou aos meus pés, beijando-me convulso as mãos.