—Nada... não incommoda, vá almoçar, ande, e volte depois para a sala ouvir as pequenas tocar piano.

Quando d'ahi a dez minutos o nosso heroe fez a sua entrada na sala, a menina Emilia, que estava sentada junto á janella em attitude melancolica e romanticamente scismadora, cumprimentou-o suspirando plangentemente;{93} a menina Adelaide fez esforços incriveis para substituir a camada de secia que lhe cobria as faces, pela camada carminica indicativa de modestia; e a menina Feliciana, sacerdotisa do deus Charivari, sacrificou o Miserere do Trovador, para solemnisar a entrada de Eduardo Teixeira.

O sr. Bernardo, querendo mostrar ao seu hospede, que conhecia perfeitamente a musica que a filha estava tocando, assobiava ingenuamente o Pirolito. Eduardo, muito longe de suppôr que aquillo era musica de Verdi, inclinava-se para a interpretação musical do honrado negociante.

O nosso alferes foi sentar-se ao pé da menina Emilia, ouviu primeiro em silencio o pseudo-Miserere, e depois, inclinando-se para a provinciana, que suspirava amiudadamente, disse-lhe a meia voz:

—Está hoje um dia triste, não acha, minha senhora?

—Ah! não me falle n'isso; dias assim esmagam-me o coração. Estes dias chubosos são horriveis para os soffrimentos interiores!{94}

—V. ex.ª padece do interior... azias de estomago, talvez?!

—Ah! não, senhor, sou excessivamente nerbosa; o espirito domina o que ha em mim de material!

—Hade-lhe fazer muito mal o café, minha senhora, aconselho-lhe os banhos do mar.

—Para os soffrimentos da alma não tem a medicina valsamos, respondeu a provinciana suspirando ruidosamente.