—Que será? bradou Emilia bastante assustada, retire-se depressa, não quero que ninguem o veja aqui.
—N'esse caso é impossivel safar-me, porque estão interceptadas as communicações!
—Mas como ha de ser isto, meu Deus!
—Como quem quer que fôr não se dirige{101} ao seu quarto, conceda-me v. ex.ª por um instante licença que me esconda n'elle, porque lhe dou a minha palavra de honra, que saio, apenas o perigo tenha cessado.
E, juntando a acção á palavra, Eduardo lançou as mãos ao parapeito da janella, e n'um pulo se achou dentro do quarto.
Com grande espanto dos dois, um outro vulto appareceu junto da janella, e, repetindo a manobra de Eduardo, entrou logo atraz d'elle no quarto da sr.ª D. Emilia Guimarães.
—Dyonisio! bradou aterrada a romantica donzella.
—Querem vêr que é o irmão, murmurou Eduardo.
—Enbiou-me a Probidencia, regougou o recem-chegado com intonação irreprehensivelmente melodramatica, é grande o crime, sr.ª D. Emilia da Fonseca Guimarães; a vingança ha de ser tremenda, senhor desconhecido!{102}
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