Ao lel-o, a gente não tem de certo tentações de imitar os seus deploraveis heroes; pelo contrario. Sente-se ferida, humilhada, quasi que angustiada, e exclama tristemente: Meu Deus! pois a humanidade é isto!

Octavio Feuillet é, por assim dizer, o contraste do seu illustre contemporaneo.

Escreve das mulheres e para as mulheres com penna d'ouro e nacar.

Feuillet é o ultimo romantico, depois do romantismo ter morrido, como Balzac é o primeiro realista antes do realismo nascer.

Para Feuillet, o delicado observador, as paixões são doenças da alma; para Zola, o anatomista implacavel, as paixões são doenças do corpo.

O convulso e repugnante hysterismo das mulheres de Zola não tem nada que vêr com a sentimentalidade melancolica das mulheres de Feuillet.

Nenhuma d'ellas—deixe-se isto bem claramente registrado para honra e felicidade do sexo feminino—nenhuma d'ellas é a verdadeira mulher, a que tinha a obrigação de ser a mulher do futuro, já me não atrevo a dizer da que o será.

Octavio Feuillet, que está talvez perto demais das cruas pinturas do realismo, intentou n'este seu ultimo livro, chamado Le journal d'une femme, rehabilitar as ideias romanticas, que visto perderem tantas mulheres, podem tambem salvar algumas.

Elle que sabe tão bem dar vida ás suas pallidas e nervosas heroinas, que téem na bocca o sorriso da esphinge, que téem na voz uns feitiços mysteriosos, que téem no gesto uma graça irrequieta e caprichosa, que sabem arrastar o homem até á beira do crime com um aceno das suas mãos esguias e aristocratas, elle, o creador do Conde de Camors, esse ultimo producto da litteratura byroniana, que endoudeceu de amor litterario tanta mulher, eil-o que se propõe d'esta vez o difficil thema de explicar a que nobres e altos sacrificios o romantismo bem entendido póde levantar uma mulher.

Foi arrojada a empreza; arrojada, mas feliz.