«Savez vous que mon grand père a été l’objet de la haine du premier ministre? Savez-vous que ma grand mère après son retour des Indes orientales, n’avait jamais vû le moine que l’on fait son confesseur? La moindre connaissance, le moindre soupçon des malheurs que menaçaient mon Roi et ma patrie aurait obligé mes parents à verser volontairement jusqu’à la dernière goutte de son sang? S’il était possible que l’on pût concevoir cet horrible projet dans ma famille, un seul l’aurait pensé, que les autres, renouvellant les creautés anciennes, eussent, comme Brutus, fait mourir leurs enfants mêmes.
«Les préjugés sont trop puissants dans le pays que m’a vue naître, et celui de l’honneur[55] était le partage de ma famille. L’amour du Roi, la paix de la societé, et le bien être de la famille, occupaient dans ce temps de tenèbres les cœurs de mes parents.
«Quand la maligne ambition, ce fiéau du genre humain, d’accord avec l’envie, nous plangea dans le sein de l’amertume, la nature avec tous les charmes, la grandeur, cette charmante folie des humains, étaient notre partage. Les êtres les mieux partagés par la nature, étaient aussi les mieux assortis par la fortune. Des époux jeunes e amoureux, des femmes jolies e honnêtes, des pères tendres, tout nous promettaient un bonheur inaltérable, quand l’orage vint tomber sur nos têtes. Je fus arrachée des bras de mon père à l’âge de huit ans, avec ma plus jeune sœur, et ma mère; quel tableau horrible! Dans cet âge heureux des plaisirs et de l’amour, arrachée des bras d’un jeune époux le plus aimable, qui joignait à la félicité d’êfre sage, et d’avoir des lumières qu’il avait puisées en France, les grâces de la figure! Un jeune homme aimable, un homme de lettres et de probité, fut arraché de ses bras, dans une nuit funeste, et dans le même jour elle se vit sans époux et sans père!»
Como o marquês de Alorna fôsse grande entendedor em literatura, um dos assuntos freqùentemente versados entre a filha e o pai era o da poesia. O marquês admirava francamente o engenho de Leonor; achava maravilhosas as suas odes, admiráveis os seus sonetos, e entre os dois travam-se engenhosas palestras sôbre letras.
«O que me parece que te tem atrazado muito,—escreve-lhe êle um dia,—é a demasiada crítica, e uma especulação excessiva da natureza e gôsto verdadeiro dos poemas, juntamente com a preocupação dilatada a favor do verso sôlto. Se não fôsse isso, e o demasiado trabalho e melancolia que te fizeram adoecer, terias a estas horas composto coisas prodigiosas e talvez de grande vulto.
«O bem que tem é que ainda estás a tempo de reparar o perdido. Se te quiseres dar às obras morais, no gôsto de Pope e mais poetas moralistas, farás maravilhas, com que todos fiquem espantados e te resulte grande nome.
«O que fizeres à imitação de Camões há de ser muito agradável a todos, desviando-te ao mesmo tempo do amoroso, que neste grande autor se mostra com demasia. Eu entendo que êste género lamuriento foi uma das coisas que mais deitou a perder e desacreditou a poesia. O que ela agora, para se estabelecer no conceito de tanta gente que lhe é contrária, necessita mais que tudo, é que haja poetas que preguem em verso como S. Paulo, como Séneca, etc., e a uma mulher da tua ordem e da tua criação é a quem isso compete mais que a ninguêm.»
O preconceito aristocrático, que é no marquês de uma fôrça indestrutível, manifesta-se em mil frases características no género da última citada; aqui vai outra ainda mais frisante, que arrancamos a outra carta.
—«...Não há dúvida que o conde de Tarouca era às vezes algum tanto empolado, mas tambêm é certo que aqueles a quem a natureza não deu uma certa expressão eloqùente a ideas fora do comum, não querem nunca achar naturalidade onde encontram qualquer elevação, e tudo querem reduzir ao seu modo de falar e pensar rasteiro. Não digo isto a respeito de nenhuma pessoa determinada, e só acrescento que quando encontrares algum dêstes amantes da natureza (por naturalidade), será bom que examines que tal é o seu estilo, e se o achares pertencente à classe baixa podes ter por suspeitoso tudo que lhe ouvires a respeito de elevações, principalmente de autor contemporâneo!»