Repugnava-lhe o papel de perdoado, a êle que se reputava vítima de um julgamento iníquo. Foi, portanto, com a família estremecida para o vale de Almeirim, onde possuía uma das suas mais formosas quintas.
As cartas de Leonor, que até aqui nos tinham acompanhado e amplamente informado, faltam-nos neste momento. Só por intuìção poderemos reconstruir os sentimentos novos, as emoções deliciosas, as surprêsas melancólicas de que o espírito e o coração dela forma o teatro já agora silencioso.
Mais tarde, falando de Almeirim, ela procura descrevê-lo com as frouxas tintas de que dispunha a poesia falsa do seu tempo:
Nem pórticos marmóreos, nem colunas
Que cinzelasse em Paros mão perita,
Há de achar neste sítio: altos pinheiros
Formam de espêssa rama o nosso teto,
E gramínea alcatifa nos of’rece,
Para pensar logar acomodado.