E então foi o Misterio ... o fantastico Misterio da minha vida...
Ó assombro! Ó quebranto! Quem jazia estiraçado junto da janela, não era Marta—não!—era o meu amigo, era Ricardo... E aos meus pés—sim, aos meus pés!—caira o seu revólver ainda fumegante!...
Marta, essa desaparecera, evolara-se em silencio, como se extingue uma chama...
Aterrado, soltei um grande grito—um grito estridente, despedaçador—e, possesso de medo, de olhos fóra das orbitas e cabelos erguidos, precipitei-me numa carreira louca ... por entre corredores e salões ... por escadarias...
Mas os criados acudiram...
* * * * * * * *
... Quando pude raciocinar, juntar duas ideias, em suma: quando despertei deste pesadelo alucinante, infernal, que fora só a realidade, a realidade inverosimil—achei-me preso num calabouço do Governo Civil, guardado á vista por uma sentinela...
[VIII]
Pouco mais me resta a dizer. Pudera mesmo deter-se aqui a minha confissão. Entretanto ainda algumas palavras juntarei.
Convem passar rapidamente sobre o processo. Ele nada apresentou que valha a pena referir. Pela minha parte, nem por sombras tentei desculpar-me do crime de que era acusado. Com o inverosimil, ninguem se justifica. Por isso me calei.