Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço…
A hora foge vivida,
Eu sigo-a, mas permaneço…
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba…
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Paris—Maio de 1913.
VII—Estátua falsa
ESTÁTUA FALSA
Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem misterio no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha'alma desceu veladamente.
Na minha dôr quebram-se espadas de ansia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!