Sou estrela ébria que perdeu os ceus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar…
Paris 1913—Maio 5.
VIII—Quasi
QUASI
Um pouco mais de sol—eu era brasa,
Um pouco mais de asul—eu era àlem.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa…
Se ao menos eu permanecesse àquem…
Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d'espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho—ó dôr!—quasi vivido…
Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,
Quasi o principio e o fim—quasi a expansão…
Mas na minh'alma tudo se derrama…
Emtanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo… e tudo errou…
—Ai a dôr de ser-quasi, dôr sem fim…—
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou…
Momentos d'alma que desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ansias que foram mas que não fixei…
Se me vagueio, encontro só indicios…
Ogivas para o sol—vejo-as cerradas;
E mãos d'heroi, sem fé, acobardadas,
Poseram grades sobre os precipicios…