Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol—e fôra brasa,
Um pouco mais de asul—e fora àlem.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa…
Se ao menos eu permanecesse àquem…

Paris 1913—maio 13.

IX—Como eu não possuo

COMO EU NÃO POSSUO

Olho em volta de mim. Todos possuem—
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ansias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São extases da côr que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoismo pra ascender ao ceu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguem. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse—ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…