Castrado d'alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dôr me afundo…
—Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dôr posso encontrar-me?…

* * * * *

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão agil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emmaranha-la nua,
Bebê-la em espasmos d'harmonia e côr!…

Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilisada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim—ó ansia!—eu a teria…

Eu vibraria só agonisante
Sobre o seu corpo d'extases dourados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me rúo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Paris—maio 1913.

X—Alem-tedio

ALEM-TEDIO

Nada me expira já, nada me vive—
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.