Insensivelmente foi voltando ás idéas de momentos antes.

Mas com essas vinham outras...

Sim! Quando o cão fosse d’alli para casa, havia de empurrar a porta com o focinho, e se não a podesse abrir, ficaria a raspar com as unhas até que apparecesse alguem, como tinha feito ainda na vespera, ao tornar com o dono da folga do José Pedro.

—Mas esta noite volta sósinho!

E a este pensamento o Sergio sentiu a garganta apertar-se-lhe ainda mais, porque se lembrava de que a pobre mãe teria a mesma idéa e havia de chorar pelo filho, que já andaria a essa hora sobre as aguas do mar.

Para esquecer-se, começou a recordar-se da folga, onde tinha bailado com a Anna cinco chamaritas a fio, a ponto de o José Pedro, já de mau modo, dizer o costumado «Caras novas ao terreiro!»

Era boa rapariga a Anna. Quando o vigario da Féteira os via juntos a conversarem, dizia-lhes por graça: «A modo que vocês ainda me hão de dar que fazer lá na egreja.»

Um e outro ficavam encarnados como uns pimentões, mas não queriam mal ao sr. padre por entícar com elles. Se andava sempre com o canîcînho na agua!...

Lembrou-se depois de que a Anna, apesar do que lhe tinha promettido, podia cansar-se de esperal-o e casar com outro, por julgar que elle, colhendo-se á solta, faria como os passaros, e não voltaria ao laço. A mesma peça tinha pregado a Aurelia ao João Furtado.

Só com esta desconfiança, o rapaz sentiu uma afflicção enorme, que lhe subia ao peito e o afogava: fincou os cotovellos nos joelhos, apertou a cabeça entre as mãos e poz-se a chorar desapoderadamente.