Não viu nada.
—Dando se mal na baleeira, desembarcava em Béteféte[1], e havia de ir parar á Calafóna, onde o ouro é tanto, que até se cava com o sacho!
Mas n’esta occasião lembrou-se de uma coisa, que o Luiz Garcia lhe dizia ás vezes—que por cada um que voltava vivo, ficavam por lá muitos, mortos sem se saber de que, se de fome, se de cansaço...
—Pois sim! Apesar d’isso vão de todas essas ilhas navios carregadinhos de gente para a America. Mal feito fôra não ir eu tambem, concluiu o Sergio.
Ouviu-se a curta distancia um latido, e logo depois um cão pequeno, de pello curto, corria para junto do Sergio, muito festeiro, muito alegre.
—Olha o Piloto! Vae-te d’aqui, diabo!
E deu-lhe um pontapé, que o animal evitou fugindo-lhe com o corpo. Mas d’alli a um instante já voltava, caracolando-se.
—Txeta, Caim! exclamou o Sergio mais zangado ainda, e atirou uma pedra ao cão, acertando-lhe n’um vasio.
O Piloto, ganindo e de cabeça baixa, subiu a rocha, deitou-se no cimo e poz-se a espreitar o dono, com o focinho extendido sobre as patas, e os olhos fulvos brilhando na meia obscuridade, como dois carvões mal apagados.
—Admira que viesse dar commigo! pensava o Sergio, sentando-se de novo. Se o tinha fechado no palheiro!...