Sem saber como, foi perdendo a grande resolução que trazia de embarcar, para fugir ao recrutamento e não ir para a Terceira, para o Castello.
Obedecia tambem a outra razão: na baleeira ia ter á America, á Calafóna, onde tinha enriquecido o Luiz Garcia, e aquelle senhor já velho, dono de uma casa de sete janellas ao pé da egreja da Féteira, e tantos outros!
Nada! O Sergio estava bem decidido, tanto que viera para alli, depois de dar um abraço na mãe e outro no irmão, mais novo do que elle dois annos.
Por isso mesmo não era capaz de saber o motivo por que sentia uma ancia no peito, um aperto na garganta, e tanta vontade de chorar.
Talvez fosse porque a mãe o não tinha acompanhado até ali, para despedir-se.
—Ora! Se foi justamente para a coisa não dar tanto nas vistas! Um visinho não lhe queria bem e podia ir participar á villa. Ha gente tão má!...
Mas, fosse o que fosse, o rapaz sentia-se a modos exquisito, e estava já a pedir que apparecesse quanto antes a canôa.
O que havia de lembrar-lhe agora!...
Todas as historias que lhe tinham contado das baleeiras: a de um capitão que moía a tripulação a pontapés e chicotadas. Um dia o cosinheiro respondeu-lhe com uma bofetada, que o estirou no convez. Foi logo mandado pôr a ferros, e nunca mais ninguem o viu. Contavam depois os de bordo, que tinha sido cosido a facadas pelo commandante, e atirado pela borda fóra.
—Mentiras, disse por entre dentes o Sergio, e poz-se a olhar para o mar, a ver se lobrigava a canôa.