Atraz do Francisco, a umas quatro ou cinco braças a agua mexia-se, e divisava-se como que uma sombra escura seguindo os banhistas.
—O que seria aquillo?
Mal tinha formulado mentalmente a pergunta, deu um grito fortissimo.
Ao de cima da agua avistava-se distinctamente uma galha escura e delgada.
—É um marraxo!
Tremulo de medo, bracejando muito, desatou a chamar os outros, com gritos entrecortados.
O Luiz, que se tinha deitado de costas para descansar, ouviu-o e olhou na direcção que os gestos indicavam. Como descobriu a galha do tubarão, bradou logo:
—Nada com ancia, Francisco, nada com ancia, e não pares!... E tu tambem, Antonio!... Olhem o que vem lá atraz!
O Francisco voltou a cabeça e passou-lhe pelo corpo um arrepio, como se a agua tivesse gelado de repente.
Em quanto elle nadasse—estava farto de o saber—o marraxo não atacava, porque não pode morder sem parar primeiro e virar-se, a fim de voltar para cima a bocca immensa, armada com sete ordens de dentes cortantes como aço!