E acudiu-lhe á memoria o triste fim d’aquelle rapaz, que um marraxo rolara pelo meio, ao pé do ilheo da Cal.
Mais rapidos que as ideias que lhe estuavam no cerebro, só os movimentos que fazia nadando, e que, desordenados, o iam extenuando a mais a mais.
Um dos companheiros havia no entretanto chegado a terra.
Como é que o terrivel animal o não tinha já alcançado?... Devia estar quasi a tocar-lhe nos pés!... Não tardava a rilhar-lhe os ossos!...
Perguntassem-lhe se preferia que um raio o fulminasse, a continuar n’aquella agonia tremenda, e pediria que no ceo limpido, testemunha impassivel da tragedia, se formasse de prompto uma nuvem de tempestade, para lançar-lhe a fita de fogo, que o matasse instantaneamente.
Já não podia mais. O coração batia-lhe no peito, como se quizesse arrombar-lh’o.
Tambem já tinha chegado á praia o João.
—Só para elle estava guardada aquella morte horrenda!...
O José lembrou-se de que no sitio onde se despiram tinham visto um madeiro roliço, que parecia resto de um mastro. Correu a buscal-o. Despiu a camisa e amarrou-lh’a bem, pelas mangas. Sobre o penedo e com o corpo inclinado para o mar, não perdia de vista o perseguido nem o perseguidor.
O Francisco já podia tomar pé, mas fazia bem continuando a nadar, pois o maior perigo estava exactamente no instante em que parasse, e assentasse os pés no fundo, para desatar a fugir.