Ia o Luiz atirar uma pedra ao tubarão, mas o José prohibiu-lh’o com um gesto imperioso, e bradou:

—Nada sempre, ó Francisco, e não tenhas medo!

Um pouco debruçado do penedo, acompanhava com os olhos esgazeados os movimentos do peixe, tal qual o trancador de baleias no momento de arpoar. Mas o banhista chegou á babugem da maré e logo o madeiro caíu entre elle e o marraxo.

—Foge, Francisco! bradaram-lhe os tres, como se fosse preciso o conselho.

Vendo caír-lhe diante e estacionar ao lume da agua aquella massa branca, o marraxo voltou-se e fincou-lhe os dentes com ancia.

—Ahi podes tu morder, cachorro! gritou-lhe o João. Surriada!

E contentissimos, os tres atiravam-lhe pedras, em quanto o Francisco se deixou caír na praia, extenuado e offegante.

Sem dar pela aggressão, o enorme esqualo queria desforrar-se do logro estracinhando a madeira, mas como a areia já lhe penetrava nas guelras, mudou de rumo e dirigiu-se para o largo, a galha escura surgindo sempre ao lume de agua.

Desde aquelle dia o Francisco, por mais calor que fizesse, nunca mais se metteu no mar.