O Pae Do Jacintho

EU estava debruçado no mainel da ponte, por onde se entra na quinta do Jardim da Serra.

Pelo ambiente volitavam effluvios perfumados, vivificantes. O sol, em jorros de luz, animava todo o valle, onde se repercutia sem cessar o chilro atroador dos passaros empoleirados pelos castanheiros e carvalhos, e o murmurio do ribeiro, que formava cascata junto á quinta, para continuar depois serpeando mansamente por entre a penedia musgosa.

O tilintar dos chocalhos do gado, que pastava na encosta visinha, ou as vozes das lenhadoras cantando pelo caminho do Curral, misturavam por vezes áquelles sons, uma nota melancholica e destacada.

De fitar a agua fugitiva ia-me penetrando da suave frescura, que emanava das profundezas do leito escuro da corrente, e ao mesmo tempo alentava-me a perenne vida, que palpitava em toda a natureza aos beijos do sol deslumbrante.

Senti uns passos ligeiros, como que medrosos, perto de mim, na ponte.

Era o Jacintho. Vinha com elle um velho—o pae.

Na vespera, quando saí do Funchal tinha visto o cabo surgir ao meu lado, vestido á paisana e disposto a acompanhar a pé o cavallo que eu montava.