—Vaes de licença?
—Saberá V. S.a que sim, por um mez. Eu sou de ao pé da quinta para onde V. S.a vae passar estes dias, e já agora sigo aqui ao lado de V. S.a, se V. S.a me dér licença.
E o cabo, sem parar no dispendio das senhorias, não deu parte de fraco durante o passeio de tres leguas, não ficando nem um instante para traz do picarso, por mim alugado na rua da Queimada para a encantadora digressão.
Cicerone consciencioso, não omittiu o nome de nenhum dos demeraristas, que tinham comprado terras á beira da estrada. Via-se que a Guyana ingleza fôra para elles um verdadeiro Brazil, ao contemplar as casas brancas, quasi todas com venezianas, de que estavam povoados os terrenos adquiridos.
Antes de me dizer adeus, pediu-me licença para, no dia seguinte, me apresentar o pae.
Coitado! Via em mim, pobre capitão de caçadores, um potentado, o que quer que fosse de superior e intangivel, principalmente estando eu alli perto da casa d’elle, e entendia honrar sobremodo o auctor dos seus dias dando-lhe conhecimento commigo.
Por isso me appareciam ambos n’aquella esplendida manhã de julho.
* * * * *
Ainda rijo, o velho. Encostado a um bordão, com a camisa alva de neve a saír por baixo do collete, botas e calças brancas, a carapuça na mão, fitava em mim uns olhinhos curiosos e sorria parvamente, á espera de que o filho m’o apresentasse.
—Saiba V. S.a que aqui está o meu pae, disse o cabo.