Depois do jantar, abriu-se com o Jacintho e a nora. Assim aleijado, não poderia fazer nenhum trabalho: por consequencia voltar para o Estreito e morrer de fome, vinha tudo a dar na mesma. O Jacintho olhou a medo para a mulher, que se tinha tornado muito vermelha, e fincava os olhos no tecto.
Por isto não deu o velho, mas notou que o filho, ao offerecer-lhe a casa logo depois, gaguejava e parecia quasi não saber o que estava dizendo. Assaltou-o uma suspeita:
—Seria pesado ao Jacintho?
A resposta indecisa dada por este e o silencio pertinaz da nora, explicaram-lhe tudo.
—Está bom rapaz! Que queres? Julguei que vivias mais desembaraçado. Volto para a nossa freguezia. Sempre lá me hei-de arranjar. Fica-te com Deus, filho, fica-te com Deus!
Agarrou-se a elle, beijou-o muito e saiu pela porta fóra, arrastando ainda mais da perna aleijada.
* * * * *
Tempos depois, vi-o no asylo de mendicidade.
Como sabia isto, disse-lhe do filho tudo quanto merecia aquella infamia.
O velho escutou-me sorrindo tristemente e respondeu por fim, a encolher os hombros: