—Será verdade o que o senhor me diz, mas que lhe hei-de eu fazer? Se elle é do meu sangue!...
A Folga
(Notas de folklore fayalense)
Tudo prompto em casa do João Furtado, para se receber a coroa do «Senhor Espirito Santo».
E não é nada cedo. A procissão já saíu da casa do imperador, que foi o ultimo a coroar no anno antecedente, e vem a caminho.
Os visinhos andam tão alvoroçados, que se não fosse o José, sobrinho do João Furtado, teriam invadido a casa, para verem de mais perto o altar, armado no quarto de fóra.
Mas não se atrevem, que o rapaz, de sentinella á porta, prega um não redondo na cara do mais pintado. Além d’isso, todos sabem que elle não é para brincadeiras, e que poderia ir ás do cabo, temendo que lhe escangalhassem o que lhe tinha custado tanta lida.
Como elle se revia no altar! Sobre a meza coberta com uma toalha de renda, nada menos de quatro jarras de flores e de outros tantos castiçaes com os cyrios ainda por accender. Dão-lhe tanta graça o docel de cassa branca e as cortinas de barra vermelha, que pendem de cada lado!