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Só quando o sargento lhe disse adeus, e lhe pediu muito que para o futuro fosse vel-o ao quarto d’elle, pois alli seria perigoso continuarem a encontrar-se, é que a Rosa viu bem o que tinha feito.

Jurou que nunca mais tornaria, mas sentiu logo que havia de tornar, indefesa contra a seducção, que ainda lhe fazia vibrar todo o corpo em frémitos de goso.

A segunda entrevista foi no quarto do amante.

Ninguem a reconheceria, vendo-a passar na rua. Ia de manto, e para maior segurança, pedira á mãe emprestadas as botas, sob o pretexto de que as suas lhe pisavam e que precisava ir á cidade. Estando quasi a chegar ao quarto do Luiz, apanhou um susto enorme: encontrou-se com o marido, que devia passar a manhã no monte Brazil.

O Jorge não andava a espial-a. Cumpria simplesmente uma ordem do inspector do material de guerra, que o tinha mandado chamar ao Castello, para lhe dar certas explicações relativas ao embarque de umas peças velhas de bronze, que deviam recolher á Fundição de Canhões.

Os dois amantes, muito conchegados um ao outro, estiveram tempos sem fim de ouvido á escuta por traz da porta, que ella tinha fechado subtilmente. Não sentiram nada. Apenas as pulsações desordenadas do coração de Rosa.

—És uma tola, disse-lhe por fim o sargento, dando-lhe um beijo. Podia lá conhecer-te, com esse disfarce! De mais a mais como é velho, deve ter a vista cançada.

—Elle, a vista cançada? Estás a ler. Vê perfeitamente. E para longe, ainda melhor do que eu.

Quando tornou para casa, ainda ia receiosa.