O marido appareceu d’alli a uma hora. Não fazia differença.

As entrevistas continuaram.

N’uma d’ellas a Rosa, ao sair do quarto do Luiz, topou a Josepha Julia, que a mirou dos pés á cabeça e fez um gesto de escarneo.

—Se me conheceu!... pensou a mulher do veterano, abalada pelo medo. Era o mesmo que sabel-o toda a gente!

Mas logo encolheu os hombros, e disse comsigo resolutamente:

—Ora adeus! O que está feito, está feito!

* * * * *

D’alli a poucas horas já effectivamente andavam de bocca em bocca as infelicidades conjugaes do cabo de veteranos. Para não levantar falsos testemunhos, a Josepha, muito encolhida debaixo do lenço, cosida com as paredes e a passinhos ligeiros, tinha seguido a mulher do manto. Mal teve a certeza de quem ella era, correu a casa da Luiza Braga. A velha prometteu guardar segredo, mas, tendo ficado só e vendo entrar-lhe pela porta dentro o 33 da artilheria, a pedir-lhe linha preta para coser um botão do casaco do uniforme, não teve mão em si e poz tudo em pratos limpos, sem dizer, já se vê, quem lh’o tinha contado.

A Josepha já estava em casa, costurando ao pé da janella do rez do chão. Tinha feito solemne protesto de não trocar falas com o maldizente do artilheiro, mas ouviu-lhe a «grande novidade», condimentada com varios pormenores inventados pelo narrador.

Benzeu-se, exclamou que podia ser tudo uma refinada mentira, que a Rosa era levantadinha de cabeça, mas que chegasse a tanto, lá isso não lhe parecia.