—E mais ninguem escapou?
—Escapou tambem a sentinella. Apanhou com pedras no corpo e perdeu dois dedos de uma das mãos, sendo por isso passado a veteranos. Veiu cá morrer ao castello d’Angra.
—E o que tinha succedido no paiol?
«Ao certo só Deus o pode dizer. O que se averiguou, foi que o maldito do capitão veiu fora do guarda-fogo, accender um charuto. A sentinella ainda lhe fez reparo. Estivesse eu lá que sabendo as coisas como corriam, atirava-me a elle e já não o largava. Boas ganas sentiria o capitão ao tenente chegado de Lisboa! De mais a mais, queria esconder a ladroeira. Pouco depois a sentinella apanhou com as pedras e não deu tino de mais nada.»
—Não se acharam os corpos?
«Achou-se o do tenente, á distancia de uns quinhentos passos. Reconheceram-o bem. Pelos modos o pobresinho ainda quiz fugir, porque o cadavre estava menos queimado que os restos dos outros corpos.
Gente que viu de longe aquella desgraça, contava que tinha subido para o ar um grande esguicho de fogo, tal qual, julgo eu, quando os montes da ilha vomitavam lume, em tempos que já lá vão muito longe.»
—Sabe o que me parece exquisito, tio Bernardo? notou alguem. O tenente não desconfiar da marosca do capitão!
—Essa cá me fica! Não disse eu que elle estava transtornado com a bebida? Coitado! Tive pena d’elle. Era um rapagão como as casas!
—Do capitão é que o tio Bernardo não pode dizer mal. Se elle o não mandasse embora...