—Eh! Senhor! Muito mal te querem, filho. E o que as bruxas te deitaram á porta!... Sal, azeite, incensio, terra de cemiterio ... pois aquella terra é de cemiterio com certeza! Credo! E tambem pennas, não vês? accrescentou ella, indicando duas pennas de ave, que alli estavam por acaso. Manda já varrer tudo isto ... para o lado de fóra, toma sentido!... E vae queimar as botas com que pisaste o sal. Cruzes! Cruzes!
Assim se fez. As botas eram novas da vespera.
Por traz das persianas, os dois sustinham o riso a muito custo, e apenas viram o visinho entrar em casa e a velha ir-se embora, fecharam a vidraça, e começaram aos pulos, ás gargalhadas, planeando nova brincadeira.
Arrepender-se-hiam talvez, se podessem ver o Francisco de joelhos deante do oratorio, erguendo uma supplica ardente para os santos, que conservava de ha muito constantemente allumiados.
Antes de entrar, tinha hesitado e estivera quasi a obedecer á tentação...
Sentia ainda uma esperança. É que a vacca parecia melhorar.
Aquelles santinhos, especialmente o representado n’um retrato egual aos que se tiram hoje em dia ás pessoas[7], quantos milagres não tinham feito em vida e depois da morte? Porque não haviam de fazer mais um, a favor de quem lhe rezava com devoção tamanha, o coração opprimido, o rosto banhado de lagrimas?
E por largo tempo invocou o auxilio milagroso de Santo Antonio.
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No dia de Natal a vacca amanheceu muito peior. Soltava a cada instante um mugido tão triste e doloroso, que nem uma alma christã metteria mais compaixão, dizia depois, na cadeia, o Francisco Raposo.