—Só a Marianna não terá dó do pobre do bicho, pensou elle, quasi a chorar.

A vacca fitou o dono com uns olhos muito afflictos, como a pedir que lhe acudisse, que não a deixasse morrer.

Depois teve um tremor por todo o corpo, descaíu a cabeça para o chão, extendeu muito as pernas, deitou pela bocca uma baba muito grossa, e os olhos embaciaram-se-lhe.—Estava morta.

—Quarenta patacas perdidas! gemeu o Francisco, e arrimou-se á humbreira da porta, arrancando os cabellos, praguejando, e batendo alli tão fortemente com a cabeça, que era um pasmo não a partir.

Ouviu tocar á missa.

Encaminhou-se para a egreja. Escutar a voz do sr. padre vigario, que sabia dar tão bons conselhos, vêr a hostia consagrada, tudo havia de socegal-o, e afastar-lhe os pensamentos ruins.

A missa ainda não tinha começado.

—Se a Marianna lá estaria?—Alli é que ella havia de ir, por ser a egreja mais proxima.

Não estava.

—Hereje! Nem sequer no dia do Natal!...