Mas o sr. vigario dissera já outras duas missas n’essa manhã, e talvez a prima tivesse ouvido alguma d’ellas.
Viu a tia logo adeante, e foi falar-lhe. D’ahi a momentos, já sabia que a Marianna não tinha estado na egreja.
—Vi-a hoje, mas não foi na casa de Deus Nosso Senhor. Foi no foral, que vae dar ao sitio onde ella véve. Levava até, pendurada na mão, uma fressura de boi.
—Eh, senhora! Porque levava ella isso?
—Eu sei lá, Chico! Talvez por ser o que se tira mais barato no açougue, quasi de graça... Ou quem sabe se?...
A velha calou-se.
—Levava tambem o coração? perguntou-lhe o Francisco anciosamente.
—Pois não, filho! Mas cala-te, que o sr. padre vigario não tarda.
O que mais lhe importava era a missa, depois do que acabava de saber!—A Marianna ainda não estava satisfeita com o mal que lhe causara! Sem se valer da bruxaria do coração espicaçado com a tesoura, já o tinha posto de rastos; o que faria agora, que ia usar d’este meio? Bem podia elle preparar-se para ficar sem nada: sem a outra vacca, sem as terras, sem a casa... Se o fogo não lh’a queimasse, deitava-lh’a abaixo algum tremor de terra. Na ilha ha tantos!... E o demonio arranjaria de certo mais um, se as bruxas lh’o pedissem.
Ia tão fóra de si, que ainda estava de cabeça descoberta.